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por Tiago Seixas, em 27.03.17
Eu ando pelo mundo...
 
Eu ando pelo mundo, observando as cores que me rodeiam. Por vezes, desalinhado, outras segurando a bengala. Não sei que idade tenho, ao certo. Nem quantas viagens fez a minha alma?! Não sei quantos amores perdi, quantas lágrimas derramaram por mim. Eu ando pelo mundo chutando pedras da calçada, pegando nelas e construindo castelos de sonhos. Eu ando pelo mundo ouvindo trovadores, cancioneiros, abrindo o peito, às balas, para que um beijo tenha, no hora do meu último espasmo. Eu ando pelo mundo desgarrado das coisas, que nada me preenchem, apenas me trazem solidão. Eu ando pelo mundo atrás de um sonho, de um amor idílico, lutando por causas e ideais. Eterno romântico, num enredo tragicómico. Quero ser escritor, quero-te minha musa, por ti quase morri, por ti eu espero...Eu ando pelo mundo atrás de um suspiro teu, mesmo que nunca te encontre, eu ando pelo mundo e quando não conseguir andar, rastejarei mas que nada te leve de mim... Guilherme
 
Por Tiago Seixas, inspirado em "Os Pássaros também choram"
 

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publicado às 21:58


OS PÁSSAROS TAMBÉM CHORAM

por Tiago Seixas, em 26.03.17

 

 

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CHIADO EDITORA

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BERTRAND

 

Aqui está o meu novo livro A violência doméstica, o cancro, a solidão nos idosos, o conflito de gerações, o rapto de um filho, o sentimento de culpa, um amor platónico, são algumas temáticas abordadas no livro. Um homem que quase morre pelo amor de uma mulher, descobre no revés da vida, que há muitas formas de amar. Porque a vida não é o que almejamos, é o que é. No seu ato nobre de voluntariado conhece Dona Leonilde, uma velhinha que vive numa solidão imensa culpando-se pelo rapto do neto. Esse homem, para lhe mitigar o sofrimento assume esse papel, em passagens comoventes, de compaixão e solidariedade. Mas é nas palavras de Maria Rita, que escutamos um grito gutural, à nossa consciência, como cidadãos e seres-humanos. Ela descreve os abusos e o modo como viveu a violência doméstica e o cancro. A esta tela, pincelada com matizes cinzentas, há toques coloridos, repletos de humor e sátira. É um livro apaixonante, quase poético, que vai fazer-nos repensar sobre diversas situações. As personagens são circulares, como se ganhassem asas e evolam num céu de palavras prolixas. Nada é previsível e no fim do livro muitas são as surpresas. No que concerne, à capa, o pássaro estava preso na sua gaiola e assistiu a toda a desdita da mulher, às agressões que lhe foram infligidas e condoeu-se com a sua dor, daí o título metafórico, "Os Pássaros também choram". 

 

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publicado às 19:05


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por Tiago Seixas, em 24.03.17

O sofrimento de uma mãe

"Minha filha. Filha minha! Dor de alma, partiste molestada por esse cancro maldito, sem que me perdoasses. Sou velha, toda eu sou velha, perdi o teu filho e agora entendo o teu sofrimento. Quando perdemos um filho, já não somos deste mundo. O que nos sobra? Venham, venham todos, mal me seguro das pernas e estou a um fio da loucura, mas chego para vós! Venham esmifrar a minha pequena reforma, venham saltimbancos, sanguessugas, que eu já não sou desta vida. Calcorreio uma gaiola escura e solitária, a que chamo casa, onde o silêncio é mais ruidoso que o peso das vossas moedas a tilintar nos cofres. O meu tesouro foi roubado. Não tenho nada, nada sou! Quero lá saber da fome, ou da guerra, sou velha, mais velha que a minha idade e o meu sofrimento é maior que todos vós. Tirem-me a casa, arranquem-me o cordão do peito, tragam-me um coração novo para que possa amar. Filha, minha filha. Depois de ti, o que me sobra? Venham todos e quem tiver coragem, que me diga, que me olhe nestes olhos, por onde a vida passou, leitos do rio, qual dor há na vida, maior que a perda de um filho? ... Leonilde".

Por Tiago Seixas, Inspirado no romance "Os Pássaros também choram"

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publicado às 21:23


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por Tiago Seixas, em 22.03.17

Quando o meu filho foi raptado, ainda criança, eu chorei lágrimas de sangue, como se um vampiro me sugasse as veias e me deixasse sem alma. Não sei explicar esta dor colossal, este soçobro em que vivo. Morri naquele dia e fui morrendo paulatinamente em cada abuso infligido pelo meu marido. A minha mãe pôs-me o nome de Rita pela devoção em Santa Rita. Quando ele me ofendia em palavras, me pisava como uma folha murcha esquecida numa estação qualquer, ou molestava o meu corpo em chagas, eu fechava os olhos e mussitava “Santa Rita salvai-me deste Inferno”… O meu pássaro agitava as asas amiúde na gaiola, foi uma fiel testemunha da violência que vivi. Batia com a cauda, as penas, o bico na haste da gaiola, queria salvar-me… Um dia se o cancro não me vencer, quando eu sair deste ergástulo, serei como o meu pássaro, ganharei asas e adejarei até ao Céu. Serei uma andorinha e viajarei milhares de quilómetros e pousarei nas mãos do meu filho roubado. Depois por sua livre vontade, deixá-lo-ei partir ou ele a mim, continuarei a voar serena e livre, até repousar no manto imaculado de Santa Rita, porque o amor nada mais é que liberdade!


Escrito por Tiago Seixas, inspirado no meu romance “Os Pássaros também choram”.

 

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publicado às 20:59


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por Tiago Seixas, em 20.03.17
" Rita olha para o relógio, dá uma última passa no cigarro e antes que o carrasco volte, ela escreve a desdita do dia. Ainda tem as marcas do sangue a escorrer pelas comissuras da boca e os lábios em ferida. Da vetusta grafonola há uma tessitura triste. Piaf, a rola, bate com o bico nas paredes de aço da gaiola. Também ela está farta daquele Inferno, quer voar e levar consigo a sua dona. Rita solta um espasmo, não tem posição para se sentar, todo o corpo lhe dói, mormente a alma. Cicia baixinho "Pai Nosso que estais no Céu...", mas a sua oração é quebrada pela lembrança do filho. "Bruno onde estás, quem te roubou de mim?" Rita contorce-se como uma malabarista, soltando gemidos a cada movimento. Tem o ventre ferido, o corpo molestado, pelos abusos sexuais infligidos pelo marido. Rita continua "Olhai por nós pecadores..." Mas a imagem do filho, deixa-lhe os olhos marejados em lágrimas. Rita pousa o terço, agarra a caneta como uma espada, nas folhas brancas do seu diário, a porta para a libertação. " Por muito que ele me batesse, pelo corpo que trago em chagas, um dia eu vou voar, serei livre, ..., e nunca em momento algum, em cada estrondo, ele me roubou a dignidade." Assim foi! "
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De Os Pássaros também Choram
 
 
 
 

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publicado às 21:08


OS PÁSSAROS TAMBÉM CHORAM

por Tiago Seixas, em 19.03.17

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"Olhei-me ao espelho, acordei Tiago. Fechei os olhos e bocejei com boçalidade. Não sei que horas eram, nem que dia, nem que estação. Quando abri paulatinamente as pestanas, assustei-me com o reflexo que vi. Tinha os lábios vermelhos contornados com um lápis preto e um sorriso acutilante, manobrava a minha boca como um títere "voltei para me vingar". Era Regina! Vi as faces cravadas de batom de muitas mulheres e tresandava a suor, de quem esteve toda a noite a fornicar, era Diogo! Tinha a pele, as mãos todas encarquilhadas, esperava por ele com sofreguidão, era Dona Leonilde a mussitar "perdoa-me Bruno, meu neto". Pelas comissuras dos lábios escorria sangue e a dor da perda de um filho, naquele momento fui Rita, vítima de violência doméstica. Nas minhas costas rebentaram asas, como nos meus dedos rosas, em que os espinhos me furavam a pele e as minhas lágrimas eram correntes de um rio a céu aberto. Evolei no ar, nas asas de um anjo, numa sentida homenagem, à minha madrinha, que o cancro roubou a vida mas nunca roubou o nosso amor. Escutei baixinho o ciciar da oração da minha avó. Este livro, sou eu e eu sou o somatório destas personagens ímpares, complexas, rebuscadas num enredo tragicómico, mas de grande profundidade e beleza. Dormi com elas, embalei-as, com desvelo e com orgulho entrego-as a vós, tal como o pai que leva a filha ao altar. Estou nu em palavras! Tiago Seixas"
 
 

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publicado às 17:52


OS PÁSSAROS TAMBÉM CHORAM

por Tiago Seixas, em 18.03.17

"Dona Leonilde num esforço hercúleo subiu a ladeira. Guilherme tremia com a gaiola na mão. Ora dava a mão à velhinha ora vigiava a rola Piaf. "Temos de a libertar, desde que a Rita morreu ela não canta..." Um fio de sol transverberou entre um rosto moldado pelas rugas e um rosto imberbe. Abriu a porta da gaiola e Piaf evolou no ar, desaparecendo ao longe... Passados dias estava a rola sobre a pedra fria da sepultura de Rita... Também os animais como as pessoas querem voltar ao lugar onde estão os seus."

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publicado às 21:32


OS PÁSSAROS TAMBÉM CHORAM NA IMPRENSA

por Tiago Seixas, em 18.03.17

JORNAL O PROGRESSO DE PAREDES

 

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publicado às 18:47


OS PÁSSAROS TAMBÉM CHORAM

por Tiago Seixas, em 14.03.17

 

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Das personagens que coabitam no mesmo prédio e se moldam à volubilidade da vida, imiscuindo-se nos dramas alheios, surge o jovem Guilherme, cuja veleidade é ser um escritor de sucesso que almeja obsessivamente um amor idílico até sevandijar-se. Do outro lado da cidade, cicia a solidão, Dona Leonilde, uma velhinha cujo rapto do neto, a fez sucumbir à alienação mental. É através do diário, de Maria Rita, sua filha, molestada por um cancro e vítima de violência doméstica, que os dois constroem uma relação egrégia de afetos e compaixão. Guilherme para mitigar o sofrimento da idosa assume o papel do neto desaparecido e rende-se à sua ternura. Numa narrativa inspiradora, o autor reflete sobre diversos sentimentos como a perda, a paixão, o ódio, o perdão, mormente, a complexidade humana e reitera que só o amor transforma o mundo. É como se dos seus dedos brotassem rosas, que ele oferece ao leitor para que as desfolhe e e para que viaje nas asas de um sonho.

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publicado às 18:10


OS PÁSSAROS TAMBÉM CHORAM

por Tiago Seixas, em 11.03.17

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Aqui está o meu novo livro A violência doméstica, o cancro, a solidão nos idosos, o conflito de gerações, o rapto de um filho, o sentimento de culpa, um amor platónico, são algumas temáticas abordadas no livro. Um homem que quase morre pelo amor de uma mulher, descobre no revés da vida, que há muitas formas de amar. Porque a vida não é o que almejamos, é o que é. No seu ato nobre de voluntariado conhece Dona Leonilde, uma velhinha que vive numa solidão imensa culpando-se pelo rapto do neto. Esse homem, para lhe mitigar o sofrimento assume esse papel, em passagens comoventes, de compaixão e solidariedade. Mas é nas palavras de Maria Rita, que escutamos um grito gutural, à nossa consciência, como cidadãos e seres-humanos. Ela descreve os abusos e o modo como viveu a violência doméstica e o cancro. A esta tela, pincelada com matizes cinzentas, há toques coloridos, repletos de humor e sátira. É um livro apaixonante, quase poético, que vai fazer-nos repensar sobre diversas situações. As personagens são circulares, como se ganhassem asas e evolam num céu de palavras prolixas. Nada é previsível e no fim do livro muitas são as surpresas. No que concerne, à capa, o pássaro estava preso na sua gaiola e assistiu a toda a desdita da mulher, às agressões que lhe foram infligidas e condoeu-se com a sua dor, daí o título metafórico, "Os Pássaros também choram". 

 

 

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publicado às 21:52

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